sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Vovó cai na água e no mundo

Uma vovó com o pé na roça e as mãos nos livros. "Acho mesmo que foi uma coisa maravilhosa e completamente inesperada que me aconteceu", declama Iara Ferreira Etto, de 76 anos. No sítio onde mora, ela escreve, cuida da horta, rema a favor da longevidade. Mas, apesar dessa tranqüilidade toda, o paraíso para ela está em outro endereço.

"O paraíso caiu no mar. O jardim mais bonito do mundo é o mar", comenta.

"É uma avó diferente das outras", conta Clara Vasconcelos, de 12 anos.

Foi aos 70 anos que dona Iara conheceu essa paixão. Para agradar a neta, fez um mergulho para principiantes durante as férias. As duas caíram juntas na água, e viver ficou muito mais emocionante.

Animada, dona Iara decidiu transformar a piscina de casa em local de treinamento. Contratou instrutores para fazer as primeiras aulas do curso de mergulho. Início de uma nova fase da vida. A aposentada descobriu que basta querer para ser feliz – até debaixo d'água.

"É como se eu estivesse num outro planeta, num outro lugar, onde as pessoas não falam a minha língua, mas consigo interagir com elas e com os animais", descreve dona Iara.

Clara denuncia quem dá mais trabalho lá embaixo: "Minha avó, lógico. Ela é desobediente, não obedece a ninguém".

A vovó serelepe caiu na água e no mundo. Já são cinco anos de mergulhos inesquecíveis. Imagens gravadas num DVD mostram dona Iara nas Bahamas com uma companhia que mete medo.

"Você não faz idéia do que tem de tubarão. Ficamos doidos olhando", conta dona Iara. Durante 40 minutos, ela e um grupo de turistas apreciaram o almoço dos tubarões. Todo mundo com cara de paisagem para não atrair a atenção do bicho. "Achei ótimo porque eu não podia pôr a mão nele, mas ele podia pôr em mim."

O mergulho entre os tubarões foi o de número 112 na carreira da destemida vovó. "Eu quero chegar a 60 metros de profundidade e uns 200 mergulhos", planeja.

A família deu o maior apoio, e dona Iara mergulhou de cabeça no esporte radical. Para abraçar o novo amor, teve que entrar numa rotina de vida bem mais saudável.

"Eu me acostumei a comer verduras. Para regime, não tem outra solução – você tem que comer verdura", conta dona Iara, que inclui alface e rúcula no cardápio todos os dias. Ela lembra que chegou a pesar 92 quilos. Hoje tem 24 a menos. Dona Iara fechou a boca para abrir o sorriso e ganhar fôlego.

"Até às 3h do dia 26 de outubro, eu tenho 74 anos. Conto até os segundos porque tenho que viver mais. Se ficar cortando, vou viver pouco", constata.

Viúva e com os três filhos criados, dona Iara descobriu no mergulho a força para reencontrar as alegrias da vida. Durante mais de 20 anos cuidou do marido doente. Uma luta sofrida que ela não esquece, mas que mostrou a importância de se valorizar cada minuto. "Às vezes, fico até com um pouco de remorso. Mas eu fiz tudo para ele, agora é hora de eu ser feliz. Eu não vou conseguir fazer ele voltar sendo infeliz. Então, de que adianta eu ser infeliz?", finaliza dona Iara.

Fonte: http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-18111-4,00.html

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